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A educação sexual como forma de evitar que o jovem prejudique sua sexualidade

Dentre tantos tabus sociais existentes na atualidade, diríamos que a morte é um deles, um assunto que normalmente não se discute ocasionalmente em nosso cotidiano. Porém, a principal interdição que mais impacta a sociedade atual é o sexo, justamente o fator que é a vida em essência, o modo como viemos ao mundo e que também ascendemos a geração futura: nossos filhos.

A idade em que acontece a primeira relação sexual vem caindo significativamente nas últimas décadas, e os jovens cada vez mais precisam estar preparados para lidar com a sexualidade de maneira consciente e responsável, para que as primeiras experiências advindas desta inserção em um novo mundo não sejam negativas, e não deixem marcas que nem o tempo pode apagar.

A maioria dos adolescentes sempre se deparam com muitas dúvidas a respeito de sexo, e nesse momento crucial para a educação sexual deles, os familiares necessitam desempenhar um papel importante na orientação do jovem quanto à sua sexualidade. Embora a juventude viva em um mundo moderno em que constantemente são impactados por conteúdos sexuais na tevê, através de filmes, e principalmente na internet, ferramenta que desde cedo já está presente na vida da nova geração; muitos deles acabam por ficarem suscetíveis a informações incorretas e que contribuem muito pouco para uma educação sexual saudável. Por outro lado, a pressão do grupo do qual fazem parte, às vezes, é razão suficiente para que assumam comportamentos e atitudes sem maturidade arcando assim com as consequências de atos feitos sem plena consciência. Por isso, os pais devem estar atentos às transformações pelas quais os adolescentes passam, e abertos ao diálogo. Se lhes falta naturalidade para enfrentar o desafio, o ideal é que procurem ajuda de profissionais capacitados para orientá-los.

Promover essa educação sexual de forma a transformar a experiência da atual geração é o grande desafio. É preciso falar sobre sexo, mas como? Para o pedagogo Luiz Rena, professor do curso de psicologia da PUC Betim, o jovem de hoje quer ouvir menos e quer ser mais escutado. “Nunca se falou tanto sobre sexo. Nunca a criança e o adolescente foram tão bombardeados com informações sobre a vida sexual. O jovem quer ser escutado em sua singularidade. E quer ser percebido como uma pessoa única”, defende.

É preciso entender, também, o que é visto como diferente, principalmente quando se luta por mais visibilidade das pessoas de orientação homossexual. Um novo modelo de educação sexual, que comece em casa e seja natural, que chegue na escola de forma interdisciplinar e que transforme esses jovens em futuros educadores de seus herdeiros precisa também trabalhar a questão da diversidade. E também da afetividade.

Além dos pais, a escola desempenha um papel secundário de extrema importância para a educação sexual na adolescência. O grande desafio dos professores é comunicar de modo claro e conciso os jovens e principalmente orientar de modo correto, frisando a relevância do sexo seguro para a prevenção de resultados precoces negativos na vida do adolescente.

Para a coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP), a psiquiatra Carmita Abdo, a educação sexual dos jovens precisa ir muito além do básico ensinado nas escolas: “A educação sexual deve falar mais de prazer, de impulso, de necessidades físicas e emocionais, de autoestima e autoconfiança. Não dá mais para ficar explicando como nos reproduzimos. O adolescente já sabe como o pênis penetra a vagina. Isso ele já aprendeu de alguma forma. É preciso falar dos ingredientes que envolvem o sexo. Uma metanálise da Unesco já derrubou o mito de que falar sobre sexo antecipa a vida sexual. O que precipita é o meio, as características individuais, o perfil. Até temperatura interfere.”

Riscos e exposição

Com o advento da tecnologia, de muitas formas podemos perceber que existe uma banalização do corpo e exteriorização exagerada entre os jovens, além do excesso de estímulos que todos estão expostos diariamente, seja através das redes sociais, do celular, ou na internet em geral.

A sexualidade precoce deixa o jovem mais exposto a diferentes riscos, como gravidez indesejada e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), inclusive a Aids. Uma pesquisa de 2008 feita pelo Ministério da Saúde mostrou que apenas 61% das pessoas com idade entre 15 e 24 anos fizeram uso do preservativo na primeira relação sexual. A educação sexual na adolescência também tem impacto direto nas escolhas do indivíduo em relação ao uso da camisinha. Pessoas que nunca foram orientadas na adolescência, por exemplo, têm duas vezes mais chances de não utilizar o preservativo em suas relações sexuais, ou seja, os resultados impactam diretamente a atitude das pessoas em suas relações sexuais ao longo da vida.

O sexo antes da hora também envolve outros aspectos: “Do ponto de vista emocional, é um impacto forte que, se negativo, às vezes, segue na vida adulta como qualquer outra violência”, diz Lilian Hagel, integrante do Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Mas não há um critério cronológico, ou seja, uma idade ideal para começar a vida sexual. O importante é que o adolescente esteja maduro o suficiente para discernir o que está fazendo e ter conhecimento dos riscos que corre.

Como orientar

A educação sexual é a melhor ferramenta para evitar a precocidade e fazer com que a primeira experiência seja positiva. Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, os estudos relativos a esse tema mostram que pessoas que tiveram uma boa orientação iniciaram a vida sexual um ano mais tarde em comparação àquelas que não foram bem educadas no assunto. Esses jovens também escolheram melhor o momento, o parceiro e a relação foi mais planejada e menos ocasional.

A melhor maneira de orientar os adolescentes é por meio de um diálogo franco, direto e informal, de preferência que fuja do clichê “precisamos conversar”. O assunto deve fazer parte do dia a dia da família, de uma conversa que surge na hora do almoço ou do jantar, comentando alguma notícia ou o caso de conhecidos.

Os pais ou responsáveis também devem procurar não se espantar se descobrirem alguma experiência sexual do filho com alguém do mesmo sexo, em destaque ao que se refere à comportamentos sexuais múltiplos de muitos adultos e jovens, justamente pela fase pela qual esses passam, a incrível fase da descoberta sexual. Pode-se considerar isso apenas como uma questão de orientação sexual, ou até mesmo apenas uma experimentação, esta em que todos nós estamos suscetíveis, porém, tem início o desejo direto à novas experimentações nesta idade da vida.

Para os adultos que não se sentem confortáveis em abordar o tema com os filhos, os especialistas sugerem alternativas para que os adolescentes não fiquem sem a informação de que precisam. É possível delegar essa tarefa para alguém da família, como uma tia, para um professor ou buscar mais conhecimento em sites de especialistas na internet. A orientação faz toda a diferença.

Fontes:

Matéria: Escola X Família  – Psic. Oswaldo Martins Rodrigues Junior
Matéria: Vamos falar de sexo?
Matéria UOL: Jovens começam vida sexual cada vez mais cedo; veja como agir
Artigo: A Importância da Educação Sexual na Adolescência

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