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Para os autores Regina Braga e Flávio Lins, o sadismo e o masoquismo são considerados uma parafilia, perversão ou anormalidade. Parafilia é um exagero patológico de certas atitudes normais da vida sexual que unem crueldade e voluptuosidade.

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM V) considera que a parafilia não é, por si só, transtorno mental e a distingue do transtorno parafílico. De acordo com a publicação, a parafilia passa a ser transtorno mental quando causa sofrimento ou prejuízo ao indivíduo e também danos pessoais ou risco de dano a outros. Portanto, parafilia é uma condição necessária, mas não suficiente para diagnóstico de transtorno parafílico e, assim, não requer intervenção clínica automática.

De acordo com Carmita Helena Najjar Abdo, a definição diagnóstica que leva a distinção entre parafilia e transtorno parafílico considera dois critérios principais: o critério A, que especifica a natureza da excitação parafílica (com peças íntimas de mulher, por exemplo, como no fetichismo, sapatos, acessórios de couro ou borracha) e o critério B, que aponta as consequências negativas (prejuízo em outras áreas da vida, risco de dano a outro pela tentativa ou conclusão de relações sexuais com pessoas sem o seu consentimento, a provocação de sofrimento psicológico ou de dor em si próprio ou no parceiro).

Saiba mais sobre parifilia 
Teóricos defendem que a origem das parafilias ocorre ainda na infância quando a criança sofre agressões físicas ou emocionais. Na fase adulta, a dor é usada para compensar o sofrimento. No caso do sadismo, por ter se habituado a sentir dor, essa transforma-se em um prazer ao se condicionar o masoquista.

Não levando em consideração as explicações científicas, o sadismo passou a ser entendido como o gosto pelo sofrimento físico ou psicológico dos outros. O sadismo sexual alia gosto, prazer, desejo ou excitação eróticos. Essa união não é, necessariamente, vista como doentia ou perversa. É entendida, pelos praticantes, como uma preferência sexual.

O termo sadismo está relacionado ao Marquês de Sade, personagem histórico da literatura e do Iluminismo, inspirador da liberdade e contra a moral.

A dissociação feita pela psicanálise entre os termos sadismo e masoquismo é recente. Muitos teóricos e psicanalistas acreditam que se tratam de tendências distintas. Numa relação sadista, o propósito é a satisfação dos prazeres do sádico. Quando há a presença de um masoquista, a satisfação é de ambos. A prática na qual os dois desejos se complementam é denominada de sadomasoquismo.

Diferente do sádico, o masoquista ao sentir medo, dor ou ser humilhado, consegue chegar ao orgasmo. O masoquista sente prazer ao sentir dor no corpo, ou mesmo ao imaginar situações nas quais é submetido à humilhação e à dominação.

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Relações sexuais
Existem pessoas que compartilham seu prazer com parceiros que sentem ou consentem prazeres sádicos e aceitam sofrer dor ou humilhação. Sem vergonha de assumirem suas preferências sexuais, muitos adeptos dessa prática mantêm relações entre si, pessoalmente ou até mesmo pela internet. Facilitam esses encontros, a existência de clubes, chats, sites, lojas, casas de sadomasoquismo e outros tipos de casas noturnas.
No sadismo, o prazer vem da dominação e do sofrimento causado a alguém por meio da dor física ou emocional, inclusive com a humilhação do parceiro. O sadismo envolve o real sofrimento alheio. Porém, há pessoas que encaram o sadismo apenas como fantasia erótica. Nesse caso, a dominação da vítima e seu sofrimento são simulações.
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Fantasia
O que diferencia o sadismo real do sadismo fantasia é a intenção. A fetichista que se utiliza da prática do sadismo, obtém prazer pela simulação e pelo uso da indumentária. Ao sadista, o que dá prazer é a prática real concretizada com domínio e sofrimento causado ao outro.

Há praticantes que se identificam como pertencentes ao grupo sadismo seguro, representado pela sigla SSC (São, Seguro e Consensual) e BDSM (Bondage, Dominação e SadoMasoquismo). Os adeptos do BDSM leem, discutem e comentam a obra de Sade. O grupo alega ser seguro porque o sadismo é realizado em comum acordo entre as partes.
Há casos desse tipo de experiência em que somente um parceiro é sádico. A relação pode ainda envolver várias pessoas e sem que haja um masoquista no grupo.

A prática repetitiva do sadismo sexual pode tornar-se um problema crônico quando praticado sem o consentimento do outro. Há casos em que a intensidade e a gravidade dos atos tende a aumentar com o passar tempo, caso não haja acompanhamento psicoterápico.

Lins e Braga apontam que o sadismo pode representar perigo quando associado a um desvio de conduta e motivar até mesmo um homicídio.

Tanto sádicos quanto masoquistas deveriam buscar ajuda psicoterápica, pois a sexualidade deve ser um ato prazeroso, respeitoso, carinhoso e humanizado.

Referência:
LINS, Regina Navarro e BRAGA, Flávio. O Livro de Ouro do Sexo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005.

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