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Muitas pessoas são céticas em relação a relacionamentos a distância. O senso comum é de que são relacionamentos mais frágeis, mais sujeitos a problemas como traições, carências, solidão, e que no geral, tem poucas chances de “dar certo”. Porém, com as mudanças tecnológicas dos tempos atuais e as infinitas maneiras de se manter conectado com pessoas de outras localidades,  os relacionamentos a distância têm se tornado cada vez mais viáveis e vêm se tornando uma opção importante para aqueles que desejam se relacionar.

Relacionamentos à distância tem dinâmicas e desafios diferentes dos relacionamentos geograficamente próximos. Há de se discutir como funcionarão os encontros, se serão semanais, quinzenais, mensais ou ainda mais espaçados do que isso, quem visitará quem, preços de passagens, se ambos tem estabilidade financeira o suficiente para arcar com os custos de viagens, locais para se encontrar, grau de comprometimento da relação, além de todos os desafios normais de casais que moram na mesma cidade, como a maneira de se lidar com os familiares e amigos do companheiro, o que fazer em datas comemorativas, como conciliar trabalho, relação a dois e relações sociais com o mundo externo.

A individualidade também é um fator importante em relacionamentos à distância. Em geral, este aspecto é mais preservado neste tipo de relacionamento, liberando tempo para que os indivíduos se dediquem à atividades que gostem. Uma queixa frequente de casais geograficamente próximos é de que o relacionamento caiu na rotina, que perderam o senso de individualidade e que se dedicam mais às atividades do outro ou do casal do que para as suas. Realizar atividades que tragam prazer para si contribui para que os encontros tenham sempre um elemento novo, deixando-os mais leves e interessantes.

Procurando entender melhor os relacionamentos a distância, um estudo realizado pela Universidade de Queens no Canadá resolveu estudar o funcionamento dos relacionamentos afetivos de longa distância comparados aos relacionamentos geograficamente próximos, e tentou descobrir o que faz com que alguns durem longos períodos de tempo até chegarem ao casamento e outros não.

Relacionamentos à Distância vs Relacionamentos Geograficamente Próximos

Sobre as diferenças entre relacionamentos a distância e relacionamentos geograficamente próximos. O estudo descobriu que não existem grandes diferenças no que concerne a qualidade afetiva e sexual dos dois tipos de relacionamentos. Isso quer dizer que não importa o tipo de relacionamento,  ambos tem seus desafios particulares e precisam de comprometimento e boa vontade dos dois indivíduos envolvidos na relação. É errada, portanto, a ideia de senso comum que diz que os relacionamentos de longa distância são mais problemáticos do que os relacionamentos geograficamente próximos. Possuem características diferentes e funcionam melhor de acordo com o perfil dos indivíduos envolvidos na relação.

Problemas Específicos dos Relacionamentos à Distância

À respeito dos desafios específicos dos relacionamentos à distância, o estudo descobriu que a habilidade do casal em lidar com estresse e problemas psicológicos decorrentes destes desafios aumenta a probabilidade do relacionamento durar mais. Casais que compreendem os desafios da distância e se apoiam mutuamente tem mais chances de estabelecerem padrões de comunicação saudáveis e encontrarem estratégias para resolver conflitos sem o desgaste que a convivência muito próxima traz, utilizando as vantagens que o relacionamento à distância traz.

Pontos Fortes

Segundo o estudo, um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um relacionamento à distância é a atitude que se tem em relação à certeza de permanecerem juntos. Casais que reportaram maior grau de certeza que um dia viveriam na mesma cidade e que gostariam de ficar juntos por muito tempo tem mais chances de ter um relacionamento duradouro. Para casais que iniciaram o relacionamento geograficamente próximos, e foram separados por motivos de trabalho ou estudo, o indicado é que haja uma reavaliação da relação e uma ressignificação do relacionamento à distância, se algum dos indivíduos tiver a ideia pré-estabelecida de que não funcionam. O planejamento e a cuidado com o relacionamento foi reportado como fator que gera maior estabilidade no relacionamento, além de gerenciar as expectativas e planos individuais do casal, o que traz maior conforto psicológico.

Os Aspectos Sexuais

Sobre aspectos sexuais, o estudo encontrou que quanto maior a frequência de visitas, maiores as chances do casal reportar satisfação sexual. A distância, neste aspecto, pode ser um aspecto positivo por prevenir o casal de se deixar levar pela rotina, fazendo como que o casal valorize mais os momentos que estão juntos. Uma vez que os encontros são menos frequentes, o casal tende a se esforçar mais para que as visitas sejam positivas, o que melhora a saúde geral do relacionamento e a satisfação do casal.

Ainda assim, a saudade é um grande desafio que o casal precisa aprender a lidar. Para isso, o casal pode abusar da criatividade e experimentar atividades online, como assistir filmes e séries ao mesmo tempo pelo computador, ou até o sexo virtual. Estas atividades servem para fortalecer o vínculo afetivo do casal.

No consultório

Apesar dos relacionamentos à distância apresentarem vantagens, alguns desafios precisam ser explicitados. O que tenho visto no consultório tange ambos os aspectos emocionais e sexuais. Relacionamentos à distância em que um parceiro viaja e o outro continua “na rotina”, podem trazer um certo ar de “visita” ao parceiro que está fora. Para casais casados e/ou com filhos, isso fica mais em evidência ainda. Muitas vezes, é necessário um certo tempo para que o parceiro se readapte à rotina e assuma o papel que lhe cabe nas atividades da casa. Esse tempo muitas vezes não existe ou não é respeitado, o que pode gerar uma sensação de que a presença do parceiro que viaja não é necessária.

Outro desafio que presenciei no consultório refere-se à pressão fazer sexo quando os parceiros se encontram. Como os encontros são esporádicos, cria-se uma espécie de obrigação em relação ao sexo, exigindo-se que seja “o” ato, que suprirá todas as necessidades do casal, e compensará o tempo que passaram separados. Toda essa expectativa pode gerar ansiedade e prevenir o ato de ser algo íntimo e agradável, um espaço de brincadeira e de conexão entre o casal.

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