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Teoria do Apego

John Bowby foi um psicologo britânico que estudou como o ser humano se apega ao seu cuidador no início da vida e consequentemente, como se comportará em suas relações no futuro. Em meados da década de 60, vigorava uma ideia de que o vínculo entre os seres humanos se mantinha pela necessidade de se obter alimento e cuidado na infância, e de sexo na idade adulta. Bowlby, no entanto, propôs que o apego é uma necessidade tão importante como a fome e o sexo, mas diferente delas. Uma necessidade biológica e psicológica.

Bowlby baseou sua teoria nos achados de Harlow, que realizou um experimento em que 2 macacos filhotes foram separados de suas mães e colocados em um ambiente estranho com duas outras “mães”, dois emaranhados de arames aparentemente da altura de suas mães originais. Na primeira “mãe” de arame, havia um pano de textura macia, enquanto na segunda, uma mamadeira, porém sem o pano. Harlow percebeu que o filhote que ficara com a mãe de pano demonstrava mais sinais de socialização e teve mais facilidade em algumas áreas da vida, enquanto o segundo filhote ficou agressivo e morreu antecipadamente. Bowlby realizou experimentos com bebês humanos, onde analisou suas reações na presença e ausência da mãe, em um local não familiar. Destes experimentos, concluiu que existem 3 tipos de apego:

– Inseguro ambivalente ou resistente

– Inseguro evitativo

– Seguro

O Apego Seguro

Neste tipo de apego, os bebês são ativos em suas brincadeiras e buscam contato quando aflitos por uma separação breve. Também são confortados rapidamente quando a mãe ou cuidador retorna, sendo capazes de modular as emoções de acordo com as experiências positivas ou negativas. É dito que o comportamento da mãe é adequado neste caso, respondendo de maneira consistente às necessidades do bebê.

O Apego Inseguro Ambivalente ou Resistente

Este tipo de apego é representado pela ambivalência do bebê quanto à presença da mãe. Buscam a mãe ou cuidador após uma ausência breve, porém não são facilmente consolados e são resistentes à interação. Alguns se comportam de maneira excessivamente chorosa, outros de maneira passiva. Ficam excessivamente preocupados com a presença da mãe a ponto de não conseguirem ser confortados quando ela retorna.

Apego Inseguro Evitativo

Este tipo de apego é caracterizado pela não alteração do comportamento do bebê com a ausência da mãe. Quando os sinais fisiológicos são monitorados, é possível observar que estes bebês passam por uma dose grave de sofrimento, porém reprimem-no. Neste tipo de apego, não há uma mudança drástica nas emoções, tudo se passa como se nada tivesse acontecido. Mães de bebês que reagem desta maneira tendem a rejeitar os seus bebês em algum grau.

Estudiosos da Teoria do Apego que levaram os achados de Bowlby adiante perceberam uma importante correlação entre o apego na infância e a maneira como os adultos se relacionam com figuras emocionalmente relevantes. Mary Main, uma das principais discípulas de Bowlby, sistematizou 4 maneiras gerais com às quais o adultos se relacionam com o apego:

Apego Adulto Seguro-Autônomo

O adulto consegue falar sobre a sua própria história emocional de maneira tranquila, coerente e reflexiva. Existe um certo grau de consciência quanto aos eventos positivos e negativos, tendem a se apegar à outras pessoas normalmente, com pouca idealização e um certo grau de racionalidade. Conseguem modular e vivenciar diferentes emoções e sentem-se bem ao vivenciar estados emocionais positivos com outras pessoas. Pais com este padrão de apego tem mais chance de terem filhos com este mesmo padrão.

Apego Adulto Desentendido

O adulto relata não se lembrar de como era a sua relação com os pais na infância. Parecem minimizar o significado das relações íntimas da infância e tendem a racionalizar as experiências vividas. A narrativa tende a ser curta e pouco detalhada. Este adulto tem o padrão de apego muito semelhante ao da criança de apego evitativo. Parece haver uma baixa carga emocional no comportamento das crianças e no discurso dos adultos. Pode parecer que estes indivíduos têm “corações de gelo”.

Apego Adulto Preocupado

Adultos com este tipo de apego parecem muito preocupados com as interações do passado, com a auto-estima, ou aparência física, ou até mesmo lutos mal resolvidos. Passado e presente misturam-se com frequência de maneira caótica, sendo muitas vezes difícil distinguir a lógica da narrativa. Este adulto geralmente transmite uma quantidade excessiva de informações secundárias e insuficiente de informações relevantes. Parecem estar sempre preocupados com a maneira de agir do momento: dar ou não dar conta de suas demandas emocionais. Existe também um grande desejo de proximidade e um grande medo da perda desta proximidade.

Apego Adulto Irresoluto/Desorganizado

Nesta categoria, os indivíduos recebem uma das outras três categorias citadas anteriormente como principal. Sua narrativa é contraditória e fragmentada, sua história pode conter grandes episódios traumáticos como abuso sexual ou físico, mortes, violência familiar, entre outros. Parece sempre haver um elemento que não se encaixa, se narram um acontecimento triste, podem esboçar um sorriso, tem dificuldade em manter o fluxo de consciência, relatam perdas de memórias no meio dos acontecimentos. Nos relacionamentos, tendem a ser inconsistentes, gerando grande confusão no parceiro.

 

Fontes

Revisitando alguns Conceitos da Teoria do Apego – SciELO

 

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