“As doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação, representam a principal causa de mortes no Brasil. No período de 2004 a 2014, foram responsáveis por 3.493.459 óbitos, 29% do total, uma morte a cada 40 segundos em nosso meio. As doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos, 2,3 vezes mais que as todas as causas externas (acidentes e violência), 3 vezes mais que as doenças respiratórias e 6,5 vezes mais que todas as infecções incluindo a AIDS. O alerta, a prevenção e o tratamento adequados podem reverter essa grave situação” (Fonte: Cardiômetro.com.br).

Sexualidade x Doenças Orgânicas

A sexualidade saudável, por sua vez, é considerada um direito humano. Seu exercício contribui para a qualidade de vida e auxilia na satisfação de necessidades físicas inerentes ao ser humano. Apesar de muito ligada aos órgãos sexuais e ao ato sexual, a sexualidade engloba sentimentos, história de vida, costumes, relações afetivas e a cultura. Sua vivência é diferente para homens e mulheres. O desejo do companheiro e a intimidade são aspectos centrais para as mulheres, enquanto o alívio sexual e a satisfação da parceira são aspectos centrais para o homem.

Na mídia, no entanto, pouco se fala sobre como a sexualidade é afetada e vivida em momentos de doença. No geral, ela é associada à juventude, à saúde física, corpos esculpidos e beleza. O resultado disso é o declínio da prática afetiva-sexual nas idades mais avançadas, em portadores de doenças, e em outras partes da população que não se enquadram nestes padrões.

Sabe-se que algumas doenças e os remédios utilizados no tratamento trazem mudanças na qualidade e quantidade da atividade sexual, principalmente as doenças do coração. Estas doenças trazem comprometimento geral físico, emocional, intelectual e afetivo, geram medo, ansiedade, insegurança, e sinalizam para a vulnerabilidade e finitude da vida. Dúvidas sobre a segurança do ato sexual são comuns em pacientes e profissionais da saúde, muitas vezes sendo negligenciadas. Neste sentido, Silva, Barros, Sardinha e Dias (2017) pesquisaram sobre a percepção do paciente cardíaco sobre a sua própria sexualidade.

Mudanças após a Doença

As pesquisadoras descobriram que cerca de 79% dos pacientes mantinham a atividade sexual após a doença cardíaca, e as mudanças que ocorreram depois da descoberta da doença referem-se à diminuição da frequência, intensidade e desejo. Alguns pacientes disseram que estas mudanças foram causadas pelo cansaço, falta de ar, palpitações, taquicardia e dores na região do peito e da lombar. Os pacientes relataram mudanças positivas na vivência da sexualidade aspectos como a vontade de realizar o ato e o cuidado do parceiro. As mudanças negativas eram relacionadas ao medo de sofrer um novo evento cardíaco e a interferência da doença. As dúvidas mais frequentes sobre a sexualidade giravam em torno da impotência sexual, do retorno da atividade sexual após o evento cardíaco, dos sintomas das doenças cardíacas e das doenças transmissíveis.

O casal que se depara com um de seus membros acometido por uma doença que gera a possibilidade de risco de vida, uma situação de crise é estabelecida, modificando toda a dinâmica conjugal e familiar. Numa situação como essa os papéis desempenhados pelos familiares são reavaliados, podendo ocorrer acúmulo ou alterações das tarefas e dos papéis. É fato que a ameaça à vida afeta não só os indivíduos, mas toda relação familiar dos envolvidos com a doença.

O casal e a família vão precisar de um tempo após a doença para restabelecer a rotina, a autoconfiança e autoestima. A terapia sexual pode auxiliar na resolução de muitos destes conflitos, fazendo com que o paciente enxergue aspectos de sua sexualidade ainda não explorados, utilizando novos recursos de acordo com a sua realidade, bem como poderá trabalhar no resgate da sua autoconfiança e autoestima e conflitos gerados pela doença.

 

Fontes

Silva, Barros, Sardinha e Dias (2017)

Cardiometro.com.br

 

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