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O Climatério e a Menopausa 

O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. A menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo (Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa). Considera-se que a mulher entra em menopausa quando passa 12 meses sem menstruar sem nenhuma razão médica aparente. Geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos, mas só é considerada “precoce” se ocorre antes dos 40 anos.

Em algumas sociedades onde a juventude é super valorizada, a menopausa tem conotação de encerramento, de preparação para a morte. Mas em outras, as mulheres que passam por esta transição são vistas como curadoras e sábias. Mulheres que aumentam seu valor com o passar dos anos pela sua sabedoria e experiência de vida.

As Mudanças Orgânicas

A diminuição dos hormônios na menopausa causa modificações significativas nos órgãos genitais internos e externos que podem influenciar a resposta sexual. A diminuição de estrógeno causa a diminuição do fluxo sanguíneo na região pélvica, o que pode tornar os pêlos pubianos escassos, causar redução de parte do tecido adiposo dos grandes lábios e retração dos pequenos lábios e do clitóris. Na vagina (parte interna do órgão) ocorrem o ressecamento vaginal, prurido (coceira), irritação, ardência e sensação de pressão. Essas alterações podem causar dor, influenciando negativamente a sexualidade da mulher.

As mulheres que continuam ativas sexualmente na menopausa, contribuem para integridade e provavelmente não sofrerão tanto o impacto deste período na resposta sexual.

O Processo de Envelhecer

A relação entre mulher-beleza-juventude no imaginário da sociedade ocidental está relacionada à saúde e é um ideal bastante arraigado. A saúde mais fragilizada é responsável pela quebra deste ideal. Além do encerramento da menstruação, as mulheres na menopausa podem experimentar altas taxas de colesterol, doenças cardiovasculares, Diabetes mellitus, neoplasias benignas e malignas, obesidade, distúrbios urinários, osteoporose e doenças auto-imunes.

Estas condições em si não tem relação com a diminuição da função ovariana, mas podem levar a mulher à uma imagem negativa de si mesma, o que pode evoluir para uma depressão.

Desempenho vs Comportamento Sexual

Sabemos que o desempenho sexual pode ser alterado pela diminuição dos hormônios. No entanto, o comportamento sexual dependerá de fatores menos arbitrários, como a qualidade dos relacionamentos  e o nível de felicidade. As pesquisas afirmam que mulheres que estão em um relacionamento estável, tem vida financeira estável e saúde mental sob controle tendem a reportar maior satisfação em relação à vida sexual. Quando questionadas sobre a secura vaginal, muitas afirmaram que esse aspecto físico não era um grande problema para a prática.

No geral, mulheres com vida sexual ativa continuarão ativas, desfrutando de sexo e interesse sexual, desde que estejam fisicamente saudáveis. Mulheres que possuem baixa atividade sexual tenderão a reduzir a prática ainda mais com o envelhecimento.

Ainda que haja o aumento das queixas em relação à disfunções sexuais, algumas mulheres reportam atividade e satisfação sexual preservados.

O que percebo no consultório é que algumas mulheres relacionam a sua sexualidade com a frustração do término da função reprodutiva, reduzindo a sexualidade à função genital. Deixam de priorizar a relação de prazer, afetiva e sensorial, sem valorizar o corpo todo como possibilidade de prazer, muitas vezes se apegando à idade e à juventude como limitador para o prazer ao longo da vida.

Atitudes negativas frente à sexualidade tem influência cultural e da história de vida. É possível que estas noções sejam trabalhadas como algo permitido e cultivado, pós menopausa até o fim da vida. Fortalecer a autoestima e autoconfiança é muito importante. Fazemos isso cuidando do corpo e da mente com atividade física, lazer e uma rede de relacionamentos significativos.

A Terapia Hormonal e a Sexualidade

O papel dos hormônios com relação aos problemas sexuais é bastante controverso. Embora a reposição de estrogênio seja benéfica para os problemas físicos, outros hormônios são mais julgados. A utilização de testosterona para o aumento do desejo sexual é por vezes criticado. O tratamento não engloba outros fatores igualmente importantes, como mudanças nas relações sociais, quebra de preconceitos, etc. Quando os hormônios são utilizados de maneira responsável e correta, os sintomas da menopausa podem ser aliviados ou eliminados, impedindo ou suavizando o aparecimento de disfunções sexuais. No entanto, vários autores ressaltam que nem todas as mulheres precisam dele. Algumas mulheres continuam a atividade sexual sem dificuldade mesmo não passando pela terapia hormonal.

A terapia hormonal também não é indicada a pacientes com histórico de:

– Câncer de Mama;

– Câncer de Endométrio;

– Doença Hepática Grave;

– Sangramento Genital Não Esclarecido;

– História de Tromboembolismo Agudo e Recorrente;

– Porfiria

Para estas mulheres existem medicamentos alternativos que devem ser oferecidos para aliviar os sintomas da menopausa.

A sexualidade é subjetiva e não deve ser interpretada à luz de tabus e preconceitos. Atualmente, a menopausa não é mais vista como uma doença a ser tratada, mas uma fase na vida pela qual todas as mulheres passarão. Portanto, é importante que o imaginário sobre este período seja mais flexível para que as mulheres consigam enxergar novas possibilidades para suas vidas.

As mulheres que enfrentam dificuldades nesta fase podem buscar na terapia sexual como uma possibilidade para lidar e superar os medos e fragilidades nesta etapa da vida.

 

Fontes

Ministério da Saúde

Mildlife Menopause – Male Partners Talking

Manual Prático de Condutas em Medicina Sexual e Sexologia – Cap 3 – Sexualidade

 

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