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Segundo Rollo May, a ansiedade se refere a uma relação de impotência, conflito existente entre a pessoa e o ambiente ameaçador, e os processos neurofisiológicos decorrentes dessa relação. Para o autor, a ansiedade constitui a experiência subjetiva do organismo numa condição catastrófica, que surge na medida em que o indivíduo, frente a uma situação, não pode fazer face às exigências de seu meio e, sente uma ameaça à sua existência ou aos valores que considera essenciais.

A ansiedade é um sentimento que acompanha um sentido geral de perigo, advertindo as pessoas de que há algo a ser temido. Refere-se a uma inquietação que pode traduzir-se em manifestações de ordem fisiológica e de ordem cognitiva.

Como manifestações fisiológicas pode haver agitação, hiperatividade e movimentos precipitados; como manifestações cognitivas surgem atenção e vigilância redobrada a determinados aspectos do meio, pensamentos e possíveis desgraças. Essas manifestações podem ser passageiras ou constituir uma maneira estável e permanente de reagir e sua intensidade pode variar de níveis baixos a elevados.

Diferente do medo (estado emocional existente quando uma ameaça é conhecida), a ansiedade ocorre quando uma ameaça não é bem definida. A ansiedade apresenta sintomas somáticos, cognitivos, comportamentais e perceptivos. Na lista resumida de sintomas estão contrações, tremores, calafrios, ondas de frio ou calor, sudorese, taquicardia, aperto no tórax, formigamento, náusea, dificuldade para engolir, diarreia, boca seca e libido diminuída.

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Muitos autores associam a ansiedade às disfunções sexuais. Wolpe (1958) supôs que a ansiedade inibia a excitação sexual. Mais tarde, Master e Johnson (1970) postularam que a ansiedade teria um papel central no desenvolvimento e na manutenção da disfunção sexual, afirmando que juntamente com o medo se projeta nas bases etiológicas.

Posteriormente, a hipótese foi contestada e os resultados de estudos sugeriram que o componente fisiológico da ansiedade está associado a um aumento ou nenhum decréscimo na excitação sexual para aqueles qualificados como sexualmente funcionais e um decréscimo na resposta para aqueles qualificados como sexualmente disfuncionais.

Durante a atividade sexual podem surgir alguns conflitos devido ao contexto ou ao ambiente. Um homem com dificuldade em obter uma ereção pode experimentar ansiedade por acreditar que seu par ficará desapontado. A ansiedade crescente funciona como sinal de alerta para induzir ajustes comportamentais. A maioria dos indivíduos experimenta graus variados de discrepância entre a excitação desejada e a experimentada de fato. Vários fatores (como por exemplo, conteúdo esquemático, déficit de habilidade, expectativa de resultado negativo e desligamento ou fuga) interferem no ajuste da discrepância e têm implicações na compreensão das disfunções sexuais.

Maria Silvia Mourão Netto analisa que muitas pessoas não têm consciência de sua ansiedade respiratória e assim arranjam subterfúgios para não respirar completamente. Para ela, a maioria das pessoas defendem-se da ansiedade sexual na medida em que não permitem que os sentimentos sexuais inundem a pelve. Por intermédio de uma constrição a nível da cintura, limitam o sentimento do amor ao coração impedindo que venha estabelecer contato direto com a excitação dos órgãos genitais. Para esses, os sentimentos de natureza sexual limitam-se aos genitais e a dissociação sofre o processo de racionalização a nível do ego, formando o conceito de que o sexo deve ser divorciado do amor. A presença de defesas predispõem a pessoa à ansiedade criando condições para que ela surja. Na ausência de defesas, não há ansiedade, apenas prazer.

Estudos clínicos relacionando ansiedade, ativação simpatomimética e resposta sexual demonstram que nem sempre a ansiedade causa prejuízo à função sexual. As evidências indicam que o nível, a natureza e a evolução do quadro ansioso são parâmetros importantes pois, os graus moderados podem catalisar a excitação sexual, enquanto os altos níveis levam ao descontrole.

Um importante tratamento para a ansiedade sexual é a terapia sexual. A meta é levar a um incremento do desempenho sexual, bem como aumento do conforto e do prazer no relacionamento. Os objetivos da terapia são aprender técnicas de controle, obter ou recuperar a confiança no desempenho sexual, superar a ansiedade, modificar repertórios sexuais rígidos, superar barreiras para a intimidade, identificar e resolver sentimentos negativos e aumentar a comunicação entre os parceiros.

Fontes consultadas:
BORGES-OSÓRIO, Maria R.; ROBINSON, Wanyce M. Genética Humana 3ed.
MOURÃO NETTO, Maria Silvia. Bioenergética.
RHODEN, Ernani Luis. Urologia: Série No Consultório.
SALKOVSKIS, Paul M.; SERRA, Ana Maria. Fronteiras da Terapia Cognitiva.

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